CONVITE AO DESESPERO – comentário de Paula Cajaty (Leituras)

Postado por Rita de Cássia ligado mai 10, 2011 em Leituras | 0 Comentários

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Convite ao desespero

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por Paula Cajaty e Fernanda Freitas

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- Nascimento, Esdras do. Convite ao desespero. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964.

Um dos grandes sucessos de Esdras do Nascimento, escrito há mais de 40 anos atrás, trata de temas que permanecem atuais. Na cidadezinha de Mandacaru, tudo é muito simples, com pouco movimento, as formas de se divertir se resumem a banhos na cascata, idas à Igreja, à pracinha, passeios de jipe e, para os rapazes, a noite animada dos cabarés.

Todos se conhecem e qualquer acontecimento vira fofoca. As famílias são bem tradicionais e não admitem que as moças fiquem pela rua, saindo com rapazes ou de papo com as amigas, pois ficariam mal-faladas. Teresa não se importa com
isso, faz o que quer e leva uma vida livre e, pelos padrões locais, esbarra na promiscuidade. Nem pensa em casamento, só sai com os rapazes algumas vezes e depois já parte em busca de outros flertes.

 

 Para quem quiser uma prova, veja aqui um trecho do livro

 

Cecília é o oposto de Teresa: só pensa em ir à igreja e vê pecado em tudo, mas mesmo assim não consegue evitar os pensamentos de luxúria, e acaba por invejar a maneira como Teresa leva sua vida.

Miguel vive flertando com as moças e frequentemente torra seu dinheiro nos cabarés. Ele se mudou para Mandacaru assim que assumiu a promotoria da cidade. Chegou cheio de sonhos e planos, mas estes logo se perderam quando ele se apercebeu que nada acontecia por ali. Com o passar do tempo, a tranquilidade era um castigo. Miguel estava acostumado com muito movimento e, em Mandacaru, o tédio mormaçava os dias, era o seu fiel companheiro das manhãs. Quando a estação da seca chegava, Miguel sofria muito com o calor escaldante e passava mal com frequência.

A temperatura era realmente elevada no sertão e anunciava que a seca seria severa assim como os problemas que com ela se avizinhavam. O povo de Mandacaru nunca havia visto uma seca como aquela antes. Os trabalhadores do campo perderam tudo e foram obrigados a ir para a cidade pedir esmolas para sobreviver. Os donos de armazéns e outros estabelecimentos viviam com medo dos flagelados saquearem suas lojas. Mas com a fome, isso era inevitável: muitas confusões aconteceram e a miséria só aumentava.

Para piorar ainda havia o assassinato de Hermes César, que esteve de namorico com uma moça da cidade. O acontecimento gerou polêmica e todos especulavam a respeito do culpado. Alguns diziam ter sido a família da moça, outros juravam que um velho à beira da morte exigiu que seus filhos matassem Hermes César. Muitos palpites, mas a incógnita continuava no ar.

Nesse cenário política e socialmente conturbado, Esdras escreve uma história deliciosa e atemporal, tipicamente brasileira, numa linguagem simples, com muita paixão, casos de amor  e mistérios a revelar.

 

Nota: reprodução do site www.paulacajaty.com

 

Obs.: Esdras do Nascimento é piauiense. Reside no Rio de Janeiro. Esteve em Teresina, no SALIPI 2004.

 

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