JÚBILO, MEMÓRIA, NOVICIADO DA PAIXÃO – por Hilda Hilst (Outros Autores)

Postado por Rita de Cássia ligado jun 27, 2011 em Outros Autores | 0 Comentários

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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JÚBILO, MEMÓRIA, NOVICIADO DA PAIXÃO

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Ama-me.

É tempo ainda.

Interroga-me.

E eu te direi que o nosso tempo é agora.

Esplêndida avidez, vasta ternura

Porque é mais vasto o sonho que elabora

Há tanto tempo sua própria tessitura.

Ama-me.

Embora eu te pareça

Demasiado intensa.

E de aspereza.

E transitória se tu me repensas.

 

E tu, lúcido, fazedor da palavra,

Inconsentido, nítido

 

Nós dois passamos porque assim é sempre

É singular e raro este tempo inventivo

Circundando a palavra.

Trevo escuro

Desmemoriado, coincidido e ardente

No meu tempo de vida tão maduro.

 

Sorrio quando penso

Em que lugar da sala

Guardarás o meu verso.

Distanciado dos teus livros políticos?

Na primeira gaveta

Mais próxima à janela?

Tu sorris quando lês

Ou te cansas de ver

Tamanha perdição

Amorável centelha

No meu rosto maduro?

 

E te pareço bela

Ou apenas te pareço

Mais poeta talvez

E menos séria?

O que pensa o homem

Do poeta? Que não há verdade

Na minha embriaguez

E que me preferes

Amiga mais pacífica

E menos ventura?

 

Que é de todo impossível

Guardar na tua sala

Vestígio passional

Da minha linguagem?

 

Eu te pareço louca?

Eu te pareço pura?

Eu te pareço moça?

Ou é mesmo verdade

Que nunca me soubeste?

 

A memória de nós. É mais. É como um sopro

De fogo, é fraterno e leal, é ardoroso

É como se a despedida se fizesse o gozo

De saber

Que há no teu todo e no meu, um espaço

Oloroso, onde não vive o adeus.
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Por Hilda Hilst
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