MEMÓRIAS DUM HIPERBÓREO – autor OLEG ALMEIDA – por Antonio Cícero (Leituras)

Postado por Rita de Cássia ligado jul 27, 2011 em Leituras | 0 Comentários

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MEMÓRIAS DUM HIPERBÓREO

O livro de Oleg Almeida fascina desde o título: “Memórias dum hiperbóreo”. “Hiperbóreo” era como os
gregos denominavam um povo que, segundo eles, morava além ou acima (hyper) do vento norte (Boréas). Um russo (e Oleg nasceu e se criou na Bielo-Rússia) pode considerar-se hiperbóreo. Entretanto, para os gregos, os hiperbóreos ficavam acima do vento norte, num lugar ensolarado, cujos habitantes viviam vidas paradisíacas. Para Píndaro, não era possível alcançar esse lugar nem por terra nem por mar. E aqui lembro o poeta Gerard Manley Hopkins, para quem era uma felicidade que não houvesse estrada régia até a poesia. “O mundo já devia saber”, dizia ele, “que não se pode alcançar o Parnaso senão voando para lá”.

Pois bem, chegamos a esse lugar ensolarado, a esse Brasil para lá da Rússia, e a essa Rússia para lá do
Brasil, através da poesia de Oleg Almeida, por vôos que nos levam da Grécia ao Egito, de Corinto a Alexandria, de Tebas a Mileto. Depois desse périplo espaço-temporal, regressamos à mesma Ítaca de onde partimos; regressamos, isto é, ao nosso agora e aqui; mas este se revelou muito mais complexo, rico, denso do que pensávamos antes da partida: e ficamos, como diria John Cage, com os pés um pouco acima do chão. (
Contracapa do livro)

Por ANTONIO CÍCERO

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Epígrafe do livro: …O lar divino é ali. No Egito, há tudo o que tem o mundo: poder e
gloria; felicidade; riqueza; palestras; teatros; efebos e sábios; templos das
símiles divindades; um rei excelente; museu e vinho… todas as boas coisas que
desejares. Mulheres sem conta – juro pela senhora do Hades, o céu não é tão
famoso por suas estrelas! – e todas encantadoras…
(HERODAS, Mimos, I
26-34)

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NOTA: Li “Memórias dum hiperbóreo” como quem degusta um vinho.

Ele autodefine-se, com uma interrogação: “Uma gota de tinta lilás que balança na ponta da pena, contendo em si toda a sabedoria do mundo a começar por Tales?”

OLEG ALMEIDA fala de si em verso-prosa. É natural, ele é um poema. (Rita de Cássia Amorim Andrade)

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Poeta lusófono de origem eslava, nasceu em 1º de abril de 1971 na Bielo-Rússia que, naquela época, fazia parte da União Soviética. Formado em Letras (1992) e pós-graduado em Administração Financeira
(1999), seguiu uma longa carreira de tradutor, analista e executivo na área comercial. Começou a escrever muito cedo e, nos anos 80/90, publicou diversos poemas e artigos nos periódicos de Gômel, sua cidade natal, e coletâneas de poesia bielo-russa. Mudou-se para o Brasil em julho de 2005. Desde então mora
em Brasília e trabalha como tradutor do vernáculo russo. Seus versos escritos em português integram, atualmente, várias antologias da Câmara Brasileira de Jovens Escritores (Rio de Janeiro), do grupo literário “Celeiro de Escritores” (Santos/SP) e de outras editoras brasileiras, sendo também divulgados através da mídia eletrônica.
Obs.: minibiografia da orelha do livro.

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