“A ESCULTORA E O POETA OVÍDIO” – por Rita de Cássia Amorim Andrade (Ritissima-Textos)

Postado por Rita de Cássia ligado nov 7, 2014 em Ritissima-Textos | 1 Comentário

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

THE SCULPTRESS AND THE POET OVID


By Rita de Cássia Amorim Andrade


She wanted to carve a statue that denoted male perfection. Time passed, the

dolls of clay deposited in water tanks were rotting your cloths.


One night, with dry eyes, she wanted a revealing dream, but dreams could be

made only with sleep. Tried a waking dream. She closed her eyes and thought of

the Greeks. Then thought about angels, many came to earth to announce

pregnancies; Jewish Mary, who conceived without sin; another one at the Old

Testament, was impregnated at ninety! The sculptress kept her eyes closed,

ready for a mental pregnancy.


A knock at the door, Ovid! She had been thinking in the Greek, but Ovid was

Latin! Cry out to him for help.


Ovid calls the goddess Venus. She whispers a secret. He leads the sculptress to

a mountain. When they reach the top, the day dawns and the first rays of sun

are scattered along the slope.


Birds of prey do flies grazing and fascinate the woman. The poet of the

psychological and emotional reflections awakens her reverie. A trickle of water

flows from a fissure in the rock. Ovid suggests her wash their hands. The

sculptress introduces her fingers over and over until she touch a soft dough.

The tactile sensation pleases her. She removes small portions of the deep red

clay. Caresses the mass and, step by step, an image modeling. Continues until the human form.


The head tilts to the right. Slightly wavy hair. Smooth forehead. Eyes seem to

see beyond the visible. Zygomatics mark his face. Tapered nose. Fleshy mouth to

offer one kiss. Adam’s pomo masculinizes his face. The lanky body exposes the

muscles of the chest to the soleus, in complete harmony. The glans penis rests

upon two bags. Emerge a man still soulless. Rapt with the supreme beauty of the

statue, the sculptress asks Ovid that give life to that clay. Ovid, once again,

refers to Venus.


The goddess examines the work. Observes his look, there is a spark in the pupil,

one shining point submerged into oclular concavity. Stretches the view in the

tube infinite and sees the time it approaching the light of life. Would be the lord

of the gods there infiltrating?! Hesitate for a moment.


Revolve the body, there is a faculty of the soul, an erotic sensitivity from the

image. Agrees to give him life.


Behold the man metamorphosed.

 


Note: The book “SO MANY WORDS” (Anthology)

 

*

 

A ESCULTORA E O POETA OVÍDIO

 

“Dotado de mais alta inteligência,
Ente, que a todos legislar pudesse:
Eis o homem nasce, e…
…O Fator conferiu sublime rosto,
Erguido para o céu lhe deu que olhasse.”
(Ovídio – METAMORFOSES – excertos traduzidos por Bocage)

 

 

Por Rita de Cássia Amorim Andrade


Queria esculpir uma estatua que denotasse a perfeição masculina. O tempo

passava, as bonecas de argila depositadas nos tanques de água iam apodrecendo

seus panos.


Uma noite, com os olhos secos, quis um sonho revelador, mas os sonhos só se

manifestariam com o sono. Tentou um sonho acordado. Fechou os olhos e pensou

nos gregos. Em seguida, nos anjos, muitos vieram a terra anunciar gravidezes; a

judia Maria, que concebeu sem pecado; outra, do velho testamento, engravidada

aos noventa anos! Manteve os olhos fechados, pronta para uma gravidez mental.


Um toque na porta. Ovídio! Estivera pensando nos gregos, mas Ovídio era latino!

Clama-lhe ajuda.


Ovídio convoca a deusa Vênus. Esta lhe sussurra um segredo. Ele conduz a

escultora a uma montanha. Ao atingirem o topo o dia já desponta e os primeiros

raios de sol se esparramam pela encosta. Aves de rapina fazem voos rasantes e

fascinam a mulher. O poeta das reflexões psicológicas e emocionais desperta-a

do devaneio. Um filete de água escorre de uma fissura, na rocha. Ele lhe sugere

lavar as mãos ali. A escultora introduz os dedos mais e mais até tocar em uma

massa maleável. A sensação tátil lhe agrada. Retira das profundezas pequenas

porções de barro vermelho. Acaricia a massa e, etapa por etapa, modela uma

imagem. Prossegue até o formato humano.


A cabeça pende para a direita. Cabelos levemente ondeados. Testa lisa. Olhos

parecem ver além do visível. Zigomáticos angulam-lhe a face. Nariz afilado. Boca

carnuda a se oferecer a um ósculo. Pomo-de-adão masculiniza o semblante. O

corpo longilíneo expõe os músculos, do peitoral ao sóleo, em completa harmonia. A

glande peniana repousa sobre dois sacos. Surge o homem ainda sem alma.

Embevecida, com a suprema beleza da estátua, a escultora pede a Ovídio que dê

vida àquele barro. Ovídio, mais uma vez, recorre à Vênus.


A deusa examina a obra. Observa-lhe o olhar, há uma centelha na pupila, um ponto

luzente submerso na concavidade ocular. Alonga a vista ao infinito tubuloso e vê o

tempo se aproximar pela luz da vida. Seria o senhor dos deuses ali se

infiltrando?! Hesita por um instante.


Revolve ao corpo, há uma faculdade de alma, uma sensibilidade erótica

proveniente da imagem. Concorda em dar-lhe vida.


Eis o homem metamorfoseado.

*

 


1 Comentário para ““A ESCULTORA E O POETA OVÍDIO” – por Rita de Cássia Amorim Andrade (Ritissima-Textos)”

  1. wow, awesome forum topic.Thanks Again. Will read on… Shader

Deixe um comentário:

22 + 21   é igual a   »
Deixe estes dois campos como estão:

IMPORTANTE!
Para enviar seu comentário é preciso informar a resposta ao cálculo acima.