ODE A BRASÍLIA – por Oleg Almeida – (categoria: Outros Autores)

Postado por Rita de Cássia ligado jul 28, 2017 em Outros Autores | 0 Comentários

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ODE A BRASÍLIA


Por Oleg Almeida



Brasília…


Cidade festiva, cidade tristonha,


cidade de siglas e algarismos,


de pleitos, escândalos e portarias,


tulipa de ferro plantada no meu coração.

 


Brasília…


Cidade sem raça, morena e branca,


cidade dos grandes chefões e pequenos ciclistas,


em cujo falar misturou-se o “erre” do Sul com o “tê” nordestino,


cidade de sonhos e pesadelos,


cidade da gente.

 


Vós fostes severa comigo, Brasília:


brigastes por nada,


servistes-me pratos azedos,


fizestes com que me sentisse bastardo


no meio dos filhos legítimos vossos,


porém não untastes com fel minhas falas baldias!

 


Quem sois para mim:


a menina que vende paçoca nas ruas;


a moça gastando três contos na ida pro Plano,


três contos na volta dali;


a mulher, cuja vida seria um filme francês,


se não fosse verdade?


Quem sois: minha prima, irmã ou madrasta?


Não sei, realmente não sei;


moraria em outro lugar, se soubesse!

 


Quem sou para vós:


forasteiro sem eira nem beira,


bichinho exótico,


homem que, lendo o “Correio”, não perde frieza,



caçula que tanto amais?


Não sabeis…


Se soubésseis,


talvez me tivésseis tratado de outra maneira,


mais branda e menos sincera.

 


Então, somos quites, Brasília,


cidade alheia, cidade querida,


pois, feitas as contas,


merece favores mundanos e graças divinas


quem anda descalço por pedras em gume;


aqueles que usam coturnos, pisando o capim, desmerecem.


E pelo rigor com o qual me curastes de vãs ilusões,


ensinando o moral dos pioneiros,


eu fico-vos grato, Brasília,


meu duro amor!

 


*

 


Fonte: sites.google.com/site/olegalmeid

 

 

 


Deixe um comentário:

23 + 22   é igual a   »
Deixe estes dois campos como estão:

IMPORTANTE!
Para enviar seu comentário é preciso informar a resposta ao cálculo acima.