“EIS QUE ESTÁS DE VOLTA” – por Emily Brontë – trad.: Lúcio Cardoso (categoria: Outros Autores)

Postado por Rita de Cássia ligado ago 8, 2017 em Outros Autores | 0 Comentários

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EIS QUE ESTÁS DE VOLTA


Por Emily Brontë

 


Ah! Eis que estás de volta esta noite,


Para despertar ainda


O que eu julgava morto nos abismos do ser.


A luz aumenta;


De súbito, o coração ardente espalha sua luz vermelha.

 


Agora que vejo a palidez de tuas faces,


As grandes planícies de teus olhos,


E que uma palavra mal se desprende dos teus lábios,


Adivinhei o curso estranho do teu sonho,

 


E poderia jurar que este vento triunfante


Dispersou para bem longe as imagens do mundo,


E afastou do teu coração a memória inoportuna,


Semelhante às flores de espuma que recolhe a onda:

 


E agora és um sopro do espírito


E tua presença é um dilúvio penetrante,


O raio que brame no meio das tormentas


E o suspiro final da tempestade que morre.

 


És o vasto encanto em que se embala o universo,


Somente tu escapas à sua fascinação.


A vida rebenta sem descanso de tua fonte poderosa


E sobre ti agora a morte já não tem nenhum poder.

 


Assim, quando a morte tiver enrijecido o teu seio,


Tua alma subirá mais alto do que a sua prisão,


O cárcere misturará sua pedra à poeira,


A escrava confundida se perderá nos céus,


E a Natureza inteira acolherá o teu ser;


Tua alma se perderá nas dobras da sua Alma,


E se hálito receberá então os teus suspiros.

 


Ó mortal!


A fábula da vida é narrada bem depressa,


Mas basta uma vida – para não se morrer jamais.

 

*

Trad.: Lúcio Cardoso


Fonte: notaterapia.com.br

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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