DIA DO PESCADOR – Minha homenagem aos pescadores (Artigo)

Postado por Rita de Cássia ligado jun 29, 2011 em Artigos / Crônicas | 0 Comentários

DIA DO PESCADOR – Minha homenagem aos pescadores, com o trecho do livro “PEDRA DO SAL – Um Pescador e seus Amores”, da minha autoria, pag.60-1.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Já estava há meia semana em mar aberto. O barco pesqueiro movia-se ao
ritmo das marolas, sem que os peixes viessem morder as iscas cuidadosamente
preparadas pelo pescador. Siba, como era chamado pelos companheiros, ouvia a
contragosto a sugestão dos parceiros — pensasse nas palavras do Messias. E, em
coro, repetiam: “Lançai a rede para o lado direito do barco e havereis de
encontrar”. Assim, irritado pelo cansaço que lhe enfraquecia os braços, lançou
rede. Em vão. Maus presságios se apossavam dele ao ver as águas se encresparem.
De repente, os ventos marinhos pareciam brigar com a embarcação. As vagas se
elevavam em grande altura, com espuma branca de arrebentação. Simão Pedro se
surpreendeu com os ventos fortes que geralmente só ocorriam entre agosto e
novembro. O barco adernou pelo impulso do vento e das ondas. Uma corrente de ar
gelado circundava a embarcação, penetrava até os ossos dos tripulantes e
assombrava-os pelos silvos que a ventania emitia. Os pescadores tentavam se
equilibrar agarrados aos bordos. Embora a embarcação em madeira lhes oferecesse
segurança, o medo tomava conta daqueles homens. Simão Pedro se arrastou, com
enorme esforço, pelo convés e se apoiou no entabuado que revestia a urna, onde
os flocos de gelo protegidos por isopor permaneciam vazios de peixe. Conseguiu
chegar à cabine e substituir o contramestre na direção do barco. Fez a arribada
forçada. Enquanto retornava à costa, pensou ter visto o pai boiando,
transparente, nas águas, já então, tranquilas, e lembrou-se das vezes que, ainda
bem jovem, costumava retirar dos mantimentos que o pescador levava para o mar,
a pequena garrafa de cachaça ali escondida. Sentiu-se culpado por não ter sido
mais atento. Expulsou os pensamentos e foi verificar em que estado se
encontravam os caixotes com o feijão, a farinha, o charque, a água potável. O
mar amainou-se e o sol se refletiu nas águas. O bom tempo reanimou os
pescadores mais jovens. Mas havia certa relutância por parte do pescador Siba,
que via na visagem do pai um vaticínio. Assim, recolheram a tralha e
regressaram ao lar.

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Por Rita de Cássia Amorim Andrade

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