CLARISSA – Um Obscuro Amor – por Lindalva (Outros Autores)

Postado por Rita de Cássia ligado jul 2, 2011 em Outros Autores | 0 Comentários

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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TÍTULO: CLARISSA – UM OBSCURO AMOR

PERSONAGEM: CLARISSA

AUTORA: Rita de Cássia Amorim Andrade

Por: LINDALVA

A mentalidade de Clarissa instaurada tão precocemente, sedimentada como argamassa, misturada de tal maneira, como elementos altamente combináveis e posteriormente inseparáveis – que mudar essa estrutura seria como uma colisão com um iceberg. Vivendo em uma dimensão em que uma situação a criou, bloqueou suas lembranças e uma importante etapa de sua vida, sem o menor preparo, nem a mais longínqua inclinação para a maternidade. Não foi poupada pela religião. Julgada capaz de parir como as índias, sem um menor alívio da dor, e condenada, incapaz de ser chamada de mãe. Passou a viver com o seu cérebro carente, adoecido e adormecido. Em meio a esse descontrole, ver seu filho-irmão como herdeiro de uma tragédia. Seus pensamentos são
monossilábicos, ácidos, rancorosos e atrevidos, onde o amor não consegue alcançá-los. Sem interesse ou paradeiro, de onde veio? Ignora. Para onde vai? Nada sabe.
Tudo nela é obscuro. Clarissa já não ama, nem cria, se debate, briga consigo, se revolta, não se esforça, nem luta. Apenas está (não é), no mar do esquecimento em que a descoberta lhe atirou. Já não é o que sempre quis ser para aquele homem. É neutra e sem vontade, como quem é engolida pela voragem, levada nas asas da decepção… Sem travas, com os seus vermelhos cortados, levados, empurrados e arrastados nas lavas de um vulcão. Furiosa com quem a fez feliz. Feliz? Sim, por um momento, até acordar de novo e outra vez enxergar o mundo real, aquele que pisa com os pés de chumbo. Uma menina mulher é capaz de amar e odiar um homem, ao mesmo tempo? Pois Clarissa o fez. Mas optou pelo perdão e saiu correndo aos trambolhões ao encontro daquilo que a fez feliz… Por um pouco.

 

Nota: Lindava é leitora assídua de romances e outros gêneros da literatura.

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